O Caos da Tempestade e a Lei do Clima.
Negar a crise climática hoje é tão absurdo como defender que a Terra é plana. Os eventos extremos que temos testemunhado são a prova viva da imprevisibilidade que agora domina o nosso quotidiano. Nunca se esqueçam, que o Risco Climático é um Risco Financeiro!
Nos últimos dias a assembleia falou sobre remover o conceito de "emergência" climática da legislação, na Lei do Clima. Apesar de serem metas utópicas (NET ZERO até 2050), é preciso um caminho igual para todos. Por isso, atenuar estas metas e remover a palavra, é aumentar a fragilidade da nossa economia e a exposição financeira do Estado, das empresas e das famílias.
Importa reforçar que não é ideologia, é racionalidade. A Lei do Clima e a Taxonomia da UE não são manifestos ideológicos; são instrumentos de racionalidade económica. Elas alinham Portugal com os mercados globais e com as exigências dos investidores internacionais.
Quando falamos de EMERGÊNCIA climática, não estamos apenas a usar um termo alarmista; estamos a falar de sobrevivência económica e de saber onde investir o capital com segurança. Como afirma a Sofia Santos, CEO da Systemic: “É importante recordar que, nos últimos 20 anos, as seguradoras portuguesas pagaram cerca de mil milhões de euros em indemnizações relacionadas com 27 catástrofes naturais. Este número é apenas a superfície do problema, pois 96% dos danos causados por tempestades em Portugal não estavam segurados, de acordo com um estudo da EIOPA que analisaram perdas entre 1980 e 2020. Isto significa que as famílias, empresas e o próprio Estado suportam a esmagadora maioria dos custos. E o mercado segurador confirma a tendência de agravamento.”
O risco climático para Portugal é real: relembro a leitura deste artigo.
O Ciclo de Impacto: Negócios x Clima
Os negócios impactam o clima, e o clima impacta os negócios. Esta dualidade transformou o reporte de sustentabilidade numa ferramenta de gestão de risco fundamental.
A Banca já não ignora: O Financiamento Sustentável agora equilibra investimentos com considerações ESG (Ambientais, Sociais e de Governança). Quanto melhor investires no risco, mais bónus financeiros terás.
Rating ESG: Ter um rating fraco não é apenas uma questão de imagem; é aumentar o risco financeiro e dificultar o acesso a capital.
Diversidade é a Palavra de Ordem
Embora as regulamentações da UE, como o European Green Deal e o pacote Fit for 55, coloquem uma pressão enorme sobre o tecido empresarial, a resposta não pode ser o retrocesso. No entanto, precisamos de um equilíbrio racional entre a ciência e a economia, e os riscos geo-políticos são reais.
A verdadeira resiliência reside na diversificação:
Energias: Não podemos ficar reféns de uma única solução. Nem do petróleo, nem das terras raras para soluções elétricas.
Matérias-Primas: No têxtil, isto significa transitar do algodão convencional para fibras orgânicas, recicladas e regenerativas (como a Circulose® ou a Infinna™), mas sem criar novas dependências absolutas.
Circularidade: Implementar o modelo Cradle to Cradle para que o resíduo passe a ser nutriente, garantindo a regeneração em vez da mera minimização..